Quando contemplas aflito
A cinzura que minha glória tem
Não vês o quanto é bendito
Ser do amor refém?
E se passam tantos dias,
Nas palavras ainda te encontro,
Como sempre soubemos bem,
No encanto da poesia,
Tua cara e meu guia,
Somos do amor reféns.
E a devorar palavras com voraz ansiedade,
Retirando do invólucro, o tão bem amado,
Lacrado com fita de cetim, meu doce passado,
Recordo-me tão pouco do gosto de ter,
Mas o de ser, ainda está guardado,
O amor mais incrustado,
Sendo refém, sem poder ser.