sábado, 21 de novembro de 2009

suspira calmo e lento,

devagar assopra a poeira,

transparece no sorriso o vento.

ilumina seu olhar de candeia.



parece saido de um longo descanço,

a sutileza de movimentos,

que causa compulsiva atração

desarma o passo imenso

acalma e aflora, total contradição.


tem uma fina pele,

um olhar aperatado que o revele,

tem doce poder em sua mão.



desarma meu passo imenso,

de quem tem pressa pra solidão

de quem vaga vazio e denso,

de quem foge da emoção.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

é brincadeira de roda,
é roda, é solidão,
e gira, eu olho de fora,
e volta, é amplidão.

a saia, rodada mulata,
é prenda, é pé no chão
poeira que sobe,
tocada a canção.

No tempo do atabaque,
no pé a marcação,
na roda dança a mulata,
é dança, é religião.
é fé, é força e coragem,
é hora da emoção....

domingo, 15 de novembro de 2009

Talvez se asas eu tivesse,
suas mãos em faca,
empunhadas e diretas
a poda-las se pusessem,
para nunca me ver voar!

Impedir não é direito,
o direito é o de não amar,
minha escolha e meu caminho,
são meus,
não é teu o direito de opinar.

Se te ofendes ou embaraças
com a minha liberdade,
vire-se, dê-me as costas,
e ponha-se a andar,
não te garanto lágimas,
não te suponho nada,
não marco teu lugar.

Eu escolho o meu passo,
Eu decido onde ficar,
Se de longe pareço frágil,
não te iludas meu caro...
aqui não é o teu lugar!

E se me olhas devagar,
e se me tomas a observar,
e se reflito no teu olhos,
se estás a me fitar,
Com candura, te pergunto...

Podes me acompanhar?

É fato de certo,
minha luz vai te assustar.

E se mais profundo observas,
se te perdes ao me ver passar,
se te deixas me encontrar,
percebe no entanto...
muito mais há pra olhar!

Sou leve e sutil,
e me rendo a tristeza,
entretando sou forte,
minha propria realeza...

Sou de pedra, aço e cobre.
Me fiz assim pra poder continuar
minha casa e meu norte,
são de quem souber chegar!
A tua voz...torna mais nobre a cinzura da minha glória.
não sou a mesma de outrora,nem cabes mais naquela roupa, e agora?
Foram tantos passos em descaminhos e eu que julguei perdido meu grito na tua memória,
me espanto e canto e digo,em qual das tuas tantas ecolhasme encaixo agora?
Como é que não me abro a tua retórica?
Mas se te espantas com a inocência que meus versos supõe nesta hora
como viverás com eles, se não satisfizerem os desejos lançados desde o fim daquela história?
e se insegura eu permanecer?
e se não couberem nos próximos passos, esta cinzura que te apavora?
como é que não sinto medo? e se eu julgar o teu retorno o alimento da minha paz?
e se em algum momento a vida desandar?como é que você faz?
Vai, me explica, me conta todos os anseios.transparece, onde foi que você me quis?
como me nego ao teu retorno?
se só contigo eu fui feliz?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Será que ainda lembra meu nome?
são 20? 30? 100 anos?
será q ainda lê meu texto em prosa?
será q ainda se apavora?

Será que a chuva vai passar?
outras canções habitarão meu quarto?
será que ainda muda a maré?
são 200? 300? 400 anos?

dias? apenas noites?
é sempre tudo, vida a fora,
qualquer nota, violão.

ainda cedo, sol nascendo,
pé na estação...
alguem me perguntou da vida,
prefere sim ou não?

a resposta talvez não seja a saída...
o caminho não tem solução,
o destino vem de longe e me afunila,
qualquer coisa que tenha razão.